CP 32/2024 ANEEL e REN 1.137/2025: Como cumprir as novas exigências no manejo vegetal?
Eventos climáticos mais severos tornaram a vegetação um dos principais gatilhos de interrupções prolongadas na distribuição de energia. A partir da CP 32/2024 e o resultado de suas contribuições, a ANEEL passou a exigir que as concessionárias elaborem e compartilhem um Relatório Anual de Gestão do Manejo Vegetação e um Plano de Manejo Vegetal atualizado. Já a REN ANEEL nº 1.137/2025 transforma o manejo vegetal em obrigação formal de resiliência: não basta executar podas; é preciso planejar, priorizar, coordenar e comprovar.
Neste artigo explicamos o que muda na regulação e como as empresas podem se adequar de forma eficiente, apoiando-se em tecnologias geoespaciais.
Veja os detalhes abaixo!
Por que a gestão de vegetação virou exigência regulatória?
A ANEEL tem reforçado diretrizes de resiliência do setor elétrico brasileiro, especialmente diante de previsões de chuvas intensas e ventos fortes durante eventos extremos. Nessas diretrizes está incluída a vegetação próxima às linhas como fator de risco à continuidade do serviço.
Por isso, em dezembro de 2025, a agência divulgou (Ofício Circular nº 5/2025) as novas medidas para o verão 2025/2026, atribuindo às concessionárias a responsabilidade de criar planos de manejo da vegetação que interfira na rede, além de garantir a remoção rápida de árvores e galhos caídos sobre o sistema elétrico.
Mas o que isso significa na prática? Em outras palavras, a agência formalizou que o manejo da vegetação deixa de ser apenas uma prática operacional opcional e passa a integrar a agenda de continuidade e segurança do fornecimento.
A CP 32/2024 já vinha debatendo essa inclusão, e a RN 1.137/2025 consolida o resultado: agora as concessionárias devem tratar a vegetação como parte dos planos de contingência e de comunicação de emergência, planejando ações preventivas e documentando-as adequadamente.
O que muda com a exigência de plano de manejo vegetal?
De forma objetiva, a distribuidora passa a ter que operar o manejo vegetal como um processo auditável:
- Manter um plano de manejo vegetal formal, atualizado anualmente, identificando áreas críticas sob risco de contato árvore–rede.
- Desenvolver e executar o plano em coordenação com as prefeituras (protocolos, responsabilidades e rotinas de acionamento).
- Registrar intervenções e critérios técnicos (georreferenciamento, fotos/relatórios e histórico das ações).
- Publicar relatório anual das ações de manejo vegetal, com rastreabilidade suficiente para fiscalização e prestação de contas.
- Garantir resposta rápida em situações emergenciais (remoção de árvores/galhos sobre a rede e recomposição segura).
Na prática, isso altera a rotina: sai o modelo reativo (poda por solicitação pontual) e entra um modelo preventivo, priorizado por risco e sustentado por evidências.
Este plano precisa ser desenvolvido em coordenação com as prefeituras locais. Em complemento, a ANEEL definiu prazos específicos: por exemplo, as distribuidoras têm 90 dias após a publicação da norma para revisar e publicar seus planos de contingência (o que inclui o plano de manejo vegetal).
Além da exposição regulatória, os processos internos necessitam de maior transparência, aumentando a importância de registrar informações em sistemas integrados: cada solicitação de poda à prefeitura e cada intervenção realizada devem ficar documentadas para comprovar a gestão.
Tudo isso requer maior coordenação entre engenharia, operação de campo, TI e órgãos públicos.
Como estruturar conformidade e aumentar resiliência com manejo vegetal
Em muitos casos, as concessionárias apontam que os principais desafios estão justamente no volume das informações necessárias e no dinamismo. As redes elétricas cobrem áreas extensas e heterogêneas (urbano, rural, mata nativa, etc.), o que torna difícil manter informações precisas e atualizadas sobre toda a vegetação que pode impactar o fornecimento de energia.
Abordagens manuais, como inspeções pontuais, não escalam e não oferecem visibilidade necessária para a tomada de decisão dos planejadores. Por isso, a conformidade com as novas exigências depende de adoção de novas tecnologias.
O caminho natural é tratar a vegetação como ativo de risco operacional, com um fluxo de ponta a ponta, permitindo:
- Inventário dinâmico: Mapeie a vegetação adjacente à rede com atributos relevantes (altura, espécie, crescimento, distância de segurança e proximidade dos condutores).
- Classificação e priorização: Converta o inventário em risco: identifique interferências atuais e potenciais e priorize trechos por criticidade elétrica e probabilidade de falha.
- Planejamento e execução: Gere planos e ordens de serviço orientados a risco, conciliando restrições de equipe, janela operacional e demandas municipais.
- Auditoria e reporte: Colete evidências antes/depois, consolide indicadores e gere o relatório anual com trilha de auditoria para fiscalização e melhoria contínua.
Antecipando o impacto da vegetação na resiliência da rede, a Concert Lab iniciou em 2015 o desenvolvimento da plataforma VERA (Vegetation Recognition Action). A solução foi projetada para estruturar o manejo vegetal ponta a ponta — inventário, priorização por risco, execução e auditoria — usando dados geoespaciais e inteligência artificial. Com isso, reduz a dependência de inspeções exclusivamente presenciais e fortalece a rastreabilidade (trilha de evidências) para gestão e conformidade.
Diferenciais relevantes da solução para a agenda regulatória de resiliência:
- Multissensoriamento + IA: combina imagens de satélite, drones, veículos de inspeção e coletas de campo para mapear e classificar vegetação ao longo da rede.
- Monitoramento “árvore a árvore”: acompanha a evolução da folhagem e identifica interferências antes que virem interrupção.
- Prioridades acionáveis: gera mapas e relatórios georreferenciados para orientar o cronograma de podas por risco real.
- Trilha de evidências pré e pós poda: facilita a comprovação técnica das intervenções e a montagem do relatório anual.
- Escala comprovada: validada em duas grandes concessionárias (mais de 16 milhões de clientes) e com base de aproximadamente 50 espécies nativas brasileiras catálogadas.
Em vez de depender apenas de inspeções físicas, o sistema oferece monitoramento contínuo e atualizado, tornando o plano de manejo dinâmico: as ações preventivas podem ser reprogramadas conforme surgem novos dados, sem perder agilidade nem deixar lacunas de controle das podas executadas.
A adequação requer investimento em método e governança, mas também abre espaço para modernizar a operação. Se sua empresa pretende se adequar às novas regras, fale com um especialista sobre o VERA.
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