DistribuTECH 2026: 3 tendências para distribuidoras brasileiras
A DistribuTECH 2026, apontou para uma mudança importante para o setor elétrico: a próxima etapa da modernização das redes depende menos da adoção isolada de ferramentas e mais da capacidade de coordenar operação, dados e recursos energéticos em tempo real.
Ao longo do evento, a agenda do setor apareceu mais conectada à realidade operacional das distribuidoras. Temas como integração entre sistemas, resposta a eventos críticos e uso coordenado de novos recursos ganharam espaço nas discussões. A digitalização continua presente nesse cenário, porém, agora, associada a demandas mais concretas da rotina da rede.
No Brasil, a expansão dos recursos energéticos distribuídos, o avanço da medição inteligente e a pressão constante por desempenho colocam as distribuidoras diante de um ambiente mais dinâmico. O que fazer diante desse cenário?
Confira, a seguir, os destaques do principal evento global dedicado à distribuição de energia e redes elétricas inteligentes!
1. Agentes de IA começam a ganhar espaço na gestão de ativos críticos
Um dos temais mais consistentes da feira foi a evolução do uso de inteligência artificial nas utilities. O debate se volta aos agentes de IA generativa capazes de atuar em fluxos específicos, como triagem de alarmes, priorização de ocorrências, recomendação de manobras e apoio à resposta em eventos climáticos severos.
Junto com esse avanço, ganham força temas diretamente ligados à aplicação prática da tecnologia, como governança, segurança, rastreabilidade e integração com os sistemas que sustentam a operação da rede. A discussão se aproxima cada vez mais do uso operacional e das condições necessárias para incorporar essas ferramentas à rotina das concessionárias.
Para as distribuidoras, esse tipo de aplicação tende a ser mais útil em cenários de pressão operacional. Quando múltiplos alarmes surgem ao mesmo tempo e a janela de decisão é curta, uma camada de apoio ajuda a organizar contexto, definir prioridades e dar mais consistência ao tratamento das ocorrências.
Exemplo da Concert: xOMNI IA no suporte a centros de controle
Na Concert Lab, desenvolvemos o xOMNI IA, criado para apoiar centros de operação de concessionárias de energia, aumentando a sua consciência situacional. A solução foi pensada para organizar o tratamento de situações críticas, consolidar alarmes, apoiar a priorização de eventos e reduzir atividades burocráticas que desviam a atenção da equipe, alterando o paradigma de monitoramento de alarmes para definição de tarefas a serem executadas. Com isso, a rotina ganha mais foco na análise e na resposta, sem exigir a substituição dos sistemas já utilizados pela concessionária ficando uma camada acima dos ADMS.
2. Flexibilidade energética exige conexão entre planejamento e operação
Outro movimento forte da DistribuTECH 2026 foi o avanço das Non-Wires Alternatives, as chamadas NWA. Entram nesse grupo recursos como usinas virtuais, baterias e programas estruturados de resposta à demanda, usados para aliviar restrições sem depender, de imediato, de obras e expansão física tradicional.
Para que esses recursos tenham aplicação prática, a contratação precisa estar conectada à realidade da rede. A distribuidora precisa identificar onde a restrição existe, em que momento ela tende a ocorrer e quais recursos estarão disponíveis quando o acionamento for necessário.
Como resultado, esse tipo de arranjo exige conexão efetiva entre planejamento e operação. Dados confiáveis, visibilidade sobre a rede e processos bem definidos ajudam a transformar informação em ação dentro do tempo exigido pela ocorrência.
Exemplo da Concert: projeto com BESS em rede de distribuição da CEMIG
Aqui, essa frente já apareceu em um projeto de armazenamento de energia em redes de 13,8 kV desenvolvido para a CEMIG, em parceria com a UFMG, FITec e ITEMM. A iniciativa envolveu a implementação e avaliação de sistemas de armazenamento com baterias de íons de lítio e chumbo-carbono avançado em rede de distribuição. Na prática, o projeto mostrou como o uso de BESS pode apoiar serviços ancilares, como regulação de tensão e peak-shaving, ampliando a flexibilidade da rede em momentos de maior exigência operacional.
3. Recursos atrás do medidor entram na lógica operacional da distribuidora
A terceira tendência a aparecer com força no evento foi a mudança no papel dos recursos behind-the-meter. Geração distribuída, baterias e cargas flexíveis entram na lógica da distribuidora como recursos com potencial para apoiar estabilidade, atendimento e coordenação operacional, desde que exista integração entre sistemas e governança adequada para interação com novos agentes do setor.
No contexto brasileiro, esse tema ganha força com o avanço de iniciativas como o Open Energy (compartilhamento de dados no setor), a AMI (infraestrutura avançada de medição) e a integração de recursos distribuídos. Tal cenário amplia a necessidade de estruturas capazes de monitorar, coordenar e incorporar esses ativos à rotina operacional da distribuidora.
A incorporação exige arquitetura tecnológica adequada, critérios claros para relacionamento com agregadores e demais participantes do mercado, além de processos que tragam esses ativos para a rotina com previsibilidade e, claro, rastreabilidade.
O ponto central está na execução
A principal lição da DistribuTECH 2026 está na forma como as distribuidoras vão transformar essas frentes em rotina operacional. Agentes de IA, flexibilidade energética e recursos atrás do medidor convergem para uma atuação mais conectada, com maior visibilidade sobre a rede e maior capacidade de resposta diante de um sistema cada vez mais dinâmico.
No caso brasileiro, o desafio está em adaptar essas tendências à realidade das distribuidoras e conduzir essa transição com consistência. Nesse ponto, a modernização das redes assume um sentido operacional concreto e gera impacto direto sobre a gestão de risco e a qualidade do serviço.
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