Projeto de monitoramento da Amazônia com participação da Concert Space avança no Programa Espacial Brasileiro
Brasil ainda não dispõe de uma missão espacial dedicada a observar sua dinâmica atmosférica com foco nas particularidades da floresta tropical
Monitorar a atmosfera da Amazônia com uma missão pensada no Brasil ainda é uma lacuna importante para o país. A região tem peso direto sobre o clima, mas seguimos dependentes, em boa medida, de sistemas espaciais desenvolvidos fora daqui para observar fenômenos que têm particularidades próprias na atmosfera amazônica.
Com participação da Concert Space, o projeto ATTOSat entrou na Carteira de Qualificação do ProSAME, processo da Agência Espacial Brasileira que avalia propostas com potencial para se tornarem missões estruturantes do programa espacial do país.
A admissão coloca o projeto em uma fase de estudos mais aprofundados de viabilidade técnica, científica e orçamentária. Se cumprir as exigências dessa etapa, a proposta poderá seguir para a Carteira de Execução e integrar formalmente o Programa Nacional de Atividades Espaciais.
Confira, a seguir, os detalhes dessa iniciativa!
O que é o ATTOSat?
O ATTOSat é uma missão proposta para ampliar, a partir da órbita, as medições já realizadas em solo pelo Amazon Tall Tower Observatory (ATTO), iniciativa científica Brasil-Alemanha dedicada ao estudo da atmosfera amazônica. A proposta foi desenhada para observar, com mais profundidade, variáveis atmosféricas relevantes para entender a dinâmica climática da região e apoiar a produção de dados estratégicos para pesquisa e tomada de decisão. Trata-se do desenvolvimento e do lançamento de um microssatélite no padrão cubesat, com execução estimada em 48 meses.
O projeto é conduzido pela Concert Space com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e participação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), do Centro de Estudos Amazônia Sustentável (CEAS) da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Max Planck de Química, além dos parceiros de execução CRON, Horuseye Tech e TR Radares.
A missão prevê o uso de sensores hiperespectrais e polarimétricos para observar variáveis como aerossóis, umidade, precipitação e microfísica de nuvens em alta resolução. A previsão é que os dados gerados sejam disponibilizados em plataforma digital aberta e gratuita para comunidade científica, gestores públicos, empresas e sociedade civil.
O potencial da missão para o Brasil
A Amazônia tem papel central na dinâmica climática do continente, mas ainda carece de um sistema espacial dedicado ao monitoramento atmosférico tropical. Sem uma missão voltada especificamente para esse ambiente, o país depende de dados gerados por satélites estrangeiros, úteis em muitos contextos, mas nem sempre desenhados para observar com profundidade as condições atmosféricas da floresta amazônica.
Além disso, quando os sensores, os recortes de observação e a lógica da missão são definidos fora do país, o Brasil passa a operar com informações que respondem, em primeiro lugar, às prioridades de outros programas espaciais. O problema não é usar dados internacionais, que seguem sendo relevantes. O ponto é que eles não substituem a necessidade de desenvolver capacidade própria para observar um território crítico com foco nas perguntas que importam ao Brasil.
No caso da Amazônia, isso afeta diretamente a qualidade das análises. Dados mais aderentes às condições atmosféricas da região podem melhorar a leitura sobre aerossóis, precipitação, umidade e formação de nuvens, além de fortalecer estudos sobre clima, queimadas e eventos extremos. Também ampliam a capacidade de integrar medições em solo e medições orbitais em uma base mais coerente para pesquisa e modelagem.
O ganho, porém, não é apenas científico. Uma missão nacional dedicada a esse tema aumenta a autonomia do país na produção de informação estratégica. O efeito é sentido sobre políticas públicas, planejamento territorial, adaptação climática, prevenção de desastres, segurança hídrica e segurança energética.
No mais, em setores que dependem de previsibilidade ambiental e leitura qualificada do território, como energia, transportes, agricultura e defesa civil, a qualidade do dado interfere diretamente na qualidade da decisão.
Desenvolver uma missão como o ATTOSat significa consolidar conhecimento nacional em áreas como arquitetura de missão, integração de sensores, processamento de dados e articulação entre pesquisa científica e aplicação prática. Em vez de se limitar a consumir informações produzidas por outros países, o Brasil amplia sua capacidade de definir o que observar, como observar e para quais finalidades esses dados serão usados.
O que representa a etapa atual e próximos passos
A entrada na Carteira de Qualificação não significa que a missão já está contratada ou concluída. Significa que o projeto passou a ser reconhecido como uma proposta com potencial real de avançar dentro do Programa Espacial Brasileiro, desde que demonstre viabilidade técnica, científica e orçamentária nas próximas etapas. De todo modo, um grande avanço para o setor aeroespacial nacional.
Rafael Mordente, CEO da Concert Space, resumiu esse momento ao afirmar que a entrada do ATTOSat nessa carteira indica uma missão com “potencial real de entrega à sociedade brasileira” e marca a fase em que o projeto precisa reduzir incertezas e demonstrar capacidade técnica, científica e programática para execução.
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